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Palestra proferida em 23/04/09 no Horto Florestal


Baobá – A Árvore do Tempo

Wesley O. Collyer *

O baobá é nativo da ilha de Madagascar, de diversos países africanos e da Austrália e é considerado uma preciosidade não só pela sua raridade, beleza e imponência, mas também pela sua utilidade. É um dos mais exóticos e provavelmente o maior vegetal da Natureza, considerado por muitos a mais bonita dentre todas as espécies vegetais. Sua grande copa abriga sempre centenas de pássaros em fase de reprodução, daí ser chamado de "árvore dos pássaros".

Estudos efetuados em alguns baobás, que ainda vivem, comprovam que muitos deles já estavam na idade adulta na época de Cristo. Dizem os pesquisadores que o baobá vive de 2 mil a 6 mil anos. Por isso, também é conhecida como “árvore do tempo”.

Em sua fase adulta (depois de mil anos) pode chegar aos 30 metros de altura e são necessários 13 homens para abraçar o seu tronco gigante ( 20 m), que, aliás, pode armazenar até 120.000 litros de água e servir como cisterna comunitária ou mesmo como moradia. As tribos nômades africanas utilizam o baobá como ponto de referência nas suas migrações. Dizem os nativos que quando morrem, suas almas passam a viver nos troncos dos baobás e muitos troncos já foram usados como sarcófagos de chefes guerreiros poderosos, para que vivessem até a eternidade.

Por todas essas características, algumas comunidades africanas o consideram sagrado. Em Madagascar foi proclamada árvore nacional e no Senegal está no emblema do país.

A casca do tronco apresenta 44% de celulose, o que significa fibras para confecção de sacos, cordas, tecidos e papel de luxo; do seu tronco constroem-se barcos. Como tudo no baobá serve para a sobrevivência do ser humano, é também conhecido como "árvore-mãe".

As folhas do baobá podem alcançar até 1 m de comprimento; cozidas em água e sal, são comidas como verduras. Trituradas, junto com as raízes, têm diversas aplicações medicinais . Seu fruto é do tamanho de uma abóbora que contém sementes parecidas com avelãs; podem ser comidas verdes ou sob a forma de suco; também podem ser secadas e armazenadas para épocas de necessidade e são ricas em vitaminas e sais minerais.

Suas flores têm 20 cm de diâmetro e parecem estar penduradas de cabeça para baixo, em forma de sino e têm apenas 24 horas de vida, mas, nesse tempo, mudam de cor, passam do branco para o creme, castanho, vinho, marrom e terminam em violeta, a cor da paixão...

Foi no Parque Nacional de Nairobi, no Quênia, junto à “árvore do tempo” que a Princesa Elizabeth II, em 1952, soube da morte do seu pai, o Rei Jorge VI, e que, por conseqüência, havia se tornado a Rainha da Inglaterra. Assim, o baobá passou a ser conhecido também como a “árvore da premonição”.

Segundo o pesquisador Câmara Cascudo, o baobá chegou ao Brasil pelas mãos dos escravos africanos, para fins de culto religioso, especialmente o candomblé. Em Pernambuco e no Rio Grande do Norte está o maior número dessas árvores e algumas passam por processo de tombamento pelo patrimônio público. Na Bahia, uma delas está localizada dentro de um terreiro.

Dizem que os baobás têm o poder do encantamento. O poeta, advogado e escritor Diógenes da Cunha Lima comprou um terreno em Natal, no Rio Grande do Norte, por US$ 100 mil para salvar uma dessas árvores, que se tornou conhecida como o “baobá do poeta”.

No Brasil também é conhecida como “árvore dos dez mil anos” e “árvore do pequeno príncipe”, porque dizem que foi em Natal, no RN, que Saint-Exupéry conheceu o baobá. Mas, basta que nos lembremos que ele voou para o norte da África muito antes de vir ao Brasil, para entendermos que é uma lenda brasileira. Aliás, também é pura lenda dizer que Saint-Exupéry não gostava de baobás. Não nos esqueçamos que o planeta do Pequeno Príncipe era, na realidade, um asteróide menor do que uma casa. Por isso, deixar um baobá crescer naquele lugar era um perigo...

Para finalizar, o Rotary vê um simbolismo muito grande neste ato. Somos todos viajantes do tempo, temos vida curta, e não temos o poder da premonição. Mas, plantando este baobá, é como se mandássemos uma mensagem através do tempo. Mesmo sem ter idéia do que sucederá daqui a dois mil ou três mil anos, com este ato todos nós nos perpetuamos um pouquinho, pois é como se seguíssemos com a “árvore do tempo” no tempo, através dessa mensagem que mandamos para um futuro inimaginável.

Vida longa para o nosso baobá!

 

 

Wesley O. Collyer *

* Presidente 2006/2007.

(Palestra proferida em 23/04/09 no Horto Florestal, em Florianópolis, ao ser plantada, naquele local, pelo Rotary Florianópolis, com o apoio do Rotary Florianópolis Amizade, uma muda de baobá.)

veja as fotos do ato

 


 
 
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